Religião

Os judeus Esquecidos

Documentário que será exibido no 12º Festival de Cinema Judaico retrata o anseio de descendentes de judeus espanhóis, convertidos pela Inquisição, para retomarem a fé judaica.

Os Judeus Esquecidos (The Longing: The Forgotten Jews of South America) é um ensaio emocionante sobre os marranos, descendentes de judeus da Península Ibérica, que foram forçados a se converter durante a Inquisição na Espanha. Filmada no Equador, a película proporciona um raro olhar sobre o processo de conversão, ao retratar a dura experiência pela qual esses descendentes passaram, na redescoberta de suas raízes judaicas e na tentativa de voltar a exercer sua fé no judaísmo.

"Mais até do que os verdadeiros católicos, os marranos precisavam mostrar aos outros que tinham convicção da nova crença que haviam abraçado, o catolicismo, para evitar quaisquer suspeitas; mas no íntimo, eles tinham outra identidade", diz a cineasta Gabriela Böhm, que produziu e dirigiu o documentário. Como era arriscado manter registros sobre as tradições judaicas, os costumes secretos passaram de geração em geração, baseados apenas na tradição oral. Com isso, muitos significados se perderam ou mudaram no caminho. Certas tradições foram mantidas, às vezes sem que as famílias soubessem o motivo delas, como não comer carne de porco ou acender velas às sextas-feiras, por exemplo. "Alguns ficaram intrigados, resolveram investigar o passado, e descobriram seu vínculo com o judaísmo", conta.

As pesquisas históricas que lastrearam o documentário tiveram a participação de vários estudiosos do tema, entre eles, Anita Novinsky, professora associada do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP); Mário Cohen, professor e diretor do Centro de Cultura Sefaradita de Buenos Aires e Ellis Rivkin, professor emérito do Jewish History Union College, em Ohio, Cincinati.

O documentário foi premiado no Festival de Cinema Judaico de Nova York (2007) e no Festival de Santa Fé (Novo México/2007). Foi exibido em diversos festivais de cinema judaico, entre eles os de São Francisco, Los Angeles, Toronto e Vancouver e também no Cine Las Americas, em Austin, Texas.

No 12º Festival de Cinema Judaico, será apresentado nos dias 7 e 8 de agosto. O trailer pode ser acessado em www.bohmproductions.com

Sobre a produtora e diretora Gabriela Böhm:
A cineasta Gabriela Böhm, argentina radicada nos EUA, produziu e dirigiu também Passages, que venceu como melhor documentário nos festivais de Woodstock e Tambay. Produziu The Wild Side, um curta-metragem sobre as drogas no Brasil e Voice-less, exibido em diversos festivais nos EUA. Estudou Cinema, Fotografia, Escultura e História da Arte em Israel antes de se radicar nos Estados Unidos, onde graduou-se na NYU's Tisch School of the Arts/Film and Television. Atualmente vive em Los Angeles.

Em Passages, grávida de seis meses, ainda estudante da New York University Film School, motivada pelo suicídio do pai, Gabriela Böhm buscou as raízes de sua história familiar. O pai sobreviveu a campos de trabalho, durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha nazista, e a mãe conseguiu ocultar sua origem judaica nesse período. Em Os Judeus Esquecidos, ela retoma a busca das raízes e refloresce com esplendor sua capacidade de produzir filmes que procuram dar significado à questão da identidade.

Gabriela é mãe solteira, cidadã argentina, israelense e norte-americana e, além de cineasta, coordena workshops que auxiliam na busca e compreensão da formação da autoconsciência.

Gabriela Böhm estará em São Paulo entre os dias 2 e 9 de agosto.

Os Judeus Esquecidos (The Longing: The Forgotten Jews of South America, EUA/Israel, 75 minutos, documentário, cor, falado em inglês e espanhol com legendas em português)
Direção: Gabriela Böhm
Sinopse: A cineasta Gabriela Böhm mergulha no fascinante universo dos marranos, descendentes de judeus convertidos à força pela Inquisição, mas que desejam reafirmar sua fé no Judaísmo. O documentário é um ensaio pungente sobre a busca de identidade e proporciona um raro olhar sobre o processo de conversão à fé judaica.

Exibições:
Dia 7 de agosto, Hebraica (Teatro Anne Frank), 20h
Dia 8 de agosto, Centro da Cultura Judaica, 19h
A entrada é gratuita, ingressos podem ser retirados com uma hora de antecedência nas bilheterias

Quem são as pessoas retratadas no documentário:

Jacques Cukierkorn é rabino, nasceu São Paulo. Quando foi ordenado, em 1994, escreveu um trabalho sobre marranos no norte do Brasil. Cukierkorn viajou pelo Brasil, México, Peru, Venezuela, Equador e partes dos Estados Unidos ajudando descendentes de judeus convertidos à força a retornarem à sua fé. Atualmente é rabino da Congregação Reformista de Kansas City, Missouri.

Borys e Maritza Valvarde são de Babahoyo, Equador, onde ele é médico. As tentativas de conversão do casal ao judaísmo sempre esbarraram na rejeição da comunidade judaica de sua pequena cidade até o encontro com o rabino Jacques Cukierkorn.

Flor e Daniela Cortés são mãe e filha de uma pequena cidade na Colômbia. Flor não conta para o ex-marido, católico, sobre o seu desejo e de sua filha, à época com 13 anos, de se converterem ao judaísmo. As duas embarcam numa viagem de 36 horas para Guayaquil para encontrar com o rabino que pode ajudá-las a fazer a conversão.

Laily Saltarén é uma professora de microbiologia de Ibagué, Colômbia. Pesquisou exaustivamente sobre seu passado e praticou rituais judaicos sozinha, por quatro anos. Espera que a conversão auxilie sua aceitação pela comunidade judaica local.
Eduardo Alvarado é um judeu convertido de Guayaquil. Apesar de ele ter comprovado para a comunidade judaica local a conversão por um rabino ortodoxo, continua a enfrentar resistências e aconselha aos outros a não procederem em suas conversões.
Ortiz Luna é um médico que encabeça um serviço de saúde mental em Guayaquil. Ciente da falta de apoio da comunidade judaica local, ele reluta em submeter-se ao processo de conversão e continua, solitário, a manter as tradições judaicas.

A história
Os primeiros judeus chegaram a Península Ibérica no século 6. Entre os séculos 15 e 16, foram vítimas da Inquisição, um violento movimento da Igreja Católica destinado a eliminar aqueles que não seguiam a sua doutrina. Para não serem mortos ou presos, muitos acabaram por se converter ao catolicismo e ficaram conhecidos como cristãos novos. Aqueles que não renunciaram à sua fé e conseguiram escapar, fugiram para países muçulmanos do Império Otomano, outras partes da Europa ou imigraram para as Américas. Mesmo longe da Espanha e de Portugal, uma parte continuou escondendo sua ancestralidade e não eram incomuns os casos de troca de sobrenomes. Os marranos continuaram a manter certos rituais em segredo, transmitidos dentro das casas, de geração em geração, muitas vezes sem saber até os motivos e as origens de tais tradições.

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